teste Fazer 150 UBS

Por exigência de resolução do Contran, modelo street da Yamaha ganha freios combinados para 2017 e também se equipara à principal concorrente

Modelo mais sofisticado da linha street da Yamaha, a Fazer 150 passou por um face-lift no ano passado e agora ganhou sistema de freios combinados no modelo 2017. Equipada com motor bicombustível, painel digital e rodas de liga-leve, a Fazer YS 150 UBS pode ser considerada a topo de linha entre as motos de entrada da marca japonesa e cobra por isso: o preço sugerido é de R$ 9.590.

Batizado de Unified Braking System (sistema de freios unificados), daí a sigla UBS, o sistema adotado na Fazer 150 tem funcionamento mecânico e é relativamente simples. Ao pisar no pedal do freio traseiro, o motociclista também aciona um cabo de retorno que, por meio de um dispositivo, “puxa” o manete e aciona o freio dianteiro a disco.

Desta forma, a Yamaha cumpre a resolução número 509 de 2014 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que determina que todas as motos tenham sistema de freios ABS ou combinados, caso tenham menos de 300cc, como a nova Fazer UBS. A obrigatoriedade segue um cronograma de implantação, com a exigência de que 10% das motos fabricados a partir deste ano tenham freios mais seguros, até que todas (100%) saiam de fábrica com alguns dos dois sistemas – ABS ou CBS – em 2019. Além de cumprir a legislação, a Yamaha coloca a Fazer 150 em base de igualdade com sua principal concorrente, a Honda CG 160 Titan, que já têm o sistema combinado desde o modelo 2015.

Mais esportiva

Embora a maioria das motos de 125cc e 150cc tenha uma proposta utilitária, a Fazer 150 traz um design jovem e moderno, que ganhou ares de esportividade em sua última reformulação. Os traços angulosos do modelo ganharam o reforço de pedaleiras mais recuadas e um guidão mais baixo se comparado ao que equipava a primeira geração do modelo – o que diferencia a Fazer 150 dos guidões curvados normalmente utilizados pelos motociclistas profissionais.

Com as mudanças, a posição de pilotagem ficou mais “esportiva”, com pernas bem flexionadas e o tronco levemente inclinado à frente. Nada que comprometa o conforto se a Fazer 150 for o veículo de locomoção para ir ao trabalho/escola, mas que pode não ser tão confortável se o motociclista for trabalhar o dia inteiro sobre a moto.

painel moto

O painel, formado por conta-giros analógico e uma tela de LCD, ganhou iluminação branca de melhor visualização e mais informações, como relógio, fuel trip e indicador ECO, que acende quando o motor trabalha na faixa de rotação de maior eficiência, indicando uma pilotagem mais econômica. No punho esquerdo, o lampejador de farol é novidade desde 2016. Mas ainda sentimos falta do botão corta-corrente no punho direito.

Por falar em economia, o baixo consumo é um dos pontos fortes do motor de comando simples no cabeçote, 149,3 cm³, com arrefecimento a ar, equipado com injeção eletrônica. Bicombustível, o propulsor oferece 12,2 cavalos de potência a 7.500 rpm e torque máximo de 1,28 kgf.m aos 5.500 giros quando abastecido com gasolina. E foi exatamente com o combustível fóssil que rodamos 41 km/litro em uso urbano.

Mais segura

Mas a grande novidade do modelo fica por conta mesmo do sistema UBS. Equipada com freio a disco na dianteira e a tambor na traseira, a Fazer 150 UBS “freia” os dois quando você pisa no pedal. Mas ao acionar o manete, o freio traseiro não sofre interferência.

freio abs moto

Na prática, a propósito do sistema é corrigir uma deficiência na formação dos motociclistas. Algumas vezes por inexperiência, outras por medo de capotar a moto, muitos não usam corretamente os freios, principalmente o dianteiro. O sistema combinado, ou unificado, como prefere a Yamaha, faz isso por você. Ou seja, mesmo que você não aperte o manete do freio dianteiro o sistema vai acioná-lo mesmo assim.

Em algumas situações, procurei pilotar sem usar o freio dianteiro para ver o sistema entrar em ação. De fato, auxilia a parar a Fazer 150 e seus 130 kg em ordem de marcha com mais eficácia do que somente o tambor traseiro faria. Mas não se engane, não faz milagres. Em velocidades mais altas é recomendável, eu diria necessário, distribuir a força de frenagem entre os freios dianteiro e traseiro. Mas, como diz o ditado, toda ajuda é bem-vinda e o funcionamento do UBS não compromete a pilotagem de quem utiliza normalmente os dois freios.

TEXTO: Arthur Caldeira / Agência INFOMOTO
FOTOS: Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

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